Emoções

Blind love.

‘’Não és a pessoa pela qual me apaixonei.’’

Suspiravam bocas por detrás de uma cortina de memórias que esperavam que a loucura de uma fosse o entretém de outros.

Pois este é o centro, todos querem amar o que lhes incita a veia os puxa para mais além, mas este amor repleto de veneno não passam de memórias distantes onde tu és uma sombra do que foste e eu uma reconstrução de ti.

Existem dias que te odeio, a língua afiada de veneno por mais um dia de diversão onde apenas fiquei de lado a questionar quem impressionas, hoje olho com desdém para a tua solidão.

‘’Não és a pessoa pela qual me apaixonei’’

A complexidade de erros, a vivacidade nas emoções. O medo do abismo mesmo quando nos atiramos para ele em busca de um amor menos amargo do outro lado.

O que te criou, não existe, foram migalhas que pareciam complexas que hoje em dia desfazes nos nós dos dedos. Nunca foi interessante, nunca foram complexos,  foram facilidades disfarçadas por detrás das tuas inseguranças que pareciam pessoas passíveis de amar.

Melodias erradas que existiam apenas para eu te calar, pois de fel envenenaste sem esperar nenhum veneno de volta.

Às vezes contemplo o reflexo e apetece-me mergulhar nele, mas é que…

‘’Não és a pessoa pela qual me apaixonei’’

Havia algo já quebrado entre nós, pois pecados que andam de mãos dadas são a salvação do erro e a corda que enforca os demais.

Não havia um cigarro que tocasse nos seus lábios, não havia um olhar para o chão em busca de enfrentar demónios com um sorriso interior, não havia um copo de que bebida fosse, que matasse mais um pouco, sem que soubessem o que matar.

Na verdade não há nada, no espelho em que se cruzam as duas, não passam de dois egos distantes que mal se tocam. Fingem não se ver, não se aceitam, recusam o que cada uma se tornou, numa visão distante continuam os seus dias como se não existissem. 

Afinal.

‘’Não és a pessoa pela qual me apaixonei’’

Estranho como o amor mata, amor esse que não é, pois para saber amar é necessário uma maturidade superior ao mero bater que uma paixão proporciona. Tão cegos que fomos, na sombra dos nossos erros sem assumir responsabilidades, antes eras quem dava vida a um determinado grupo de seres, depois tornou-se uma prática diária pela apatia.

Estranho como o mal e o bem andam tão interligados que muito tempo de um lado e o erro parece o certo, e o certo parece o extremismo.

A parte triste é a arte que se foi, mas obras primas não se mantêm em mentes comuns afinal.

Confiei em ti tantas vezes, esqueci-me todas elas que não passavas de erros, só me afundei mais nos braços de coisas que não eram minhas.

O meu céu não era o teu, o meu amor não era o teu, nunca quisemos o mesmo, os nossos impérios colidem, o que te  move não é que me aquece, pois eu não sou o que pretendes. Amaste os que não queria, choraste por quem não era digno, perdeste-te em contos que não eram os meus, a todo o custo mesmo que fosse arrancando a minha paz, procuras-te paz e arte numa tela já completa que não te inclui.

Sempre quiseste fugir, nunca assumir.

Agora os nossos reflexos distantes são meio patéticos, não andamos lado a lado, mas de costas viradas, tu, eu todas nós, tudo o que sempre quis foi uma forma de poder ser o que fosse merecido, no meio de tantas coisas, e o atropelar da vida levou-nos a nada, somos cacos das ideias que nos colavam.

Talvez pela clareza.

Afinal

‘’Não és a pessoa pela qual me apaixonei’’

Agora ando à deriva entre a clareza da minha liberdade, procuro onde vamos simplesmente ficar bem. Onde estão as taças a erguer para se compreender que a bem ou mal fomos necessárias, afinal fomos perigos diferentes que nos levaram à procura de uma só paz.

Às vezes, em raras ocasiões ainda te oiço, como uma batida crescente que me faz ter vontade de ser livre de uma forma que não sou, não ser a acomodação do passar do tempo, tocam-se os sinos a distância, mas de todas as vezes vou me afastando até não ouvir mais, pois tu, carregas o perigo dos meus erros, e jamais dos meus acertos.

Foste quem me deixou à tona durante muito tempo, quem me fez viver ou apenas sobrevivi. 

Demos tudo.

No cliché castelo de cartas, escusado será descrever o final.

Acabamos de mão vazias sem saber o que somos. Pois a tua existência alimentou-se da minha energia, e depois de ti onde estava? em lado nenhum. Hoje estranha, carrego-te nos meus pulmões sem teres uma palavra sobre o que pesa no meu coração. Segues-me se quiseres, pois mandar, não mandas. Nem no sorriso do canto da boca quando sei que estás perto, pois o que amas é o que me mata, o que amas não é sequer interessante.

São máscaras ocas que pareciam ver o mundo com outros olhos, os mesmos brilhantes que os teus mas não se entregam pérolas a porcos, não que os demais sejam inferiores, mas simplesmente porque há mundos que não têm de colidir, sempre foi algo que nunca aprendeste.

Mas afinal…

‘’ Não eram as pessoas pelas quais te apaixonaste.’’

Pois, o amor foi cego, corrupto, apenas alimentou-se de coisas que não existem, hoje são os teus pesadelos que sobram, como lobos que correm atrás de mim para trazer tudo à tona, mas a veia que me alimenta é outra. Não preciso de ti para ver o brilho da vida, ou talvez usei mal as palavras, talvez seja mais o veneno que providências não é o fel do qual me alimento.

Pois aprendi a não ser escrava de vontades.

Não sei quem sou, não sei nada, mas cada alma errada com que me cruzei sobre o inebriar de ti mesma, já se foi. Deixando um caminho de calma para a reconstrução de um império talvez mais justo,  compreendo com plena consciência de que tudo o que fomos até aqui, fui eu, responsabilizo-me pelas mazelas de cada fase pois talvez quis mascarar-me por detrás de desculpas de não assumir o descontrolo da insanidade dos dias.

Era mais fácil não ver.

Quanto aos sinos, se a nossa pele é a mesma, quem sabe talvez seja eu que te vá ensinar, a veres os impulsos de viver que nem um furacão no sítio e na quantidade certa, talvez além de perceber que existe um lugar de paz e um lugar onde existo, existe um mundo de todas nós sem a necessidade de que sejamos o entretém alheio.

A responsabilidade do que a mente cria  é só uma, o poder com o que fazemos com a nossa existência?

Bem… que seja:

És a pessoa pela qual me apaixonei.

Possam os erros e os acertos estar no mesmo molde, pois afinal, Dizem lá em cima que somos do mesmo barro.

Momo's avatar

Nerdhead com uma mistura de sushi comido em Mordor.

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