Dúvidas

Self hate.

Estamos em constante mudança? Não tendo o síndrome de me considerar especial calculo obviamente que sim.

Na nossa pequena bolha, onde borbulham as emoções sejam elas boas ou más, temos uma borracha na mão, se ela serve para apagar memórias ou fragmentos de quem passa por nós, ou até o eu do passado isso já cabe a cada um.

Caso se viva analisando muito a experiência do sentimento interior, como conseguir processar o que rodeia, calculo que nada mais leva uma borracha que o eu. Claro nunca vai ser perfeito, não se estará nas expectativas criadas, pois numa mente que muda de uma em uma hora tudo acaba por mudar. No meio deste ciclo, não queremos ser os primeiros a esquecer, mas para que certas coisas fiquem para trás até o bom é apagado, nisto o que sobra?

O que sobra de nós mesmos senão a nostalgia de momentos vibrantes, quebradiços e fragmentados escondendo-se por detrás das suas mascaras toda uma altura confusa com a qual não existe empatia nesse sufoco total seja da ausência, de compreensão, acabamos por ser um vómito constante e impaciente de mensagens negativas e prejudiciais sobre quem somos, vemos o mau com mais frequência pois doí e acaba por ser o instinto que fica, mesmo essa dor não tendo a ver com o nosso reflexo reconhecido até de olhos fechados. A mente tranquilamente coloca diante de nós todos os erros, fracassos, dúvidas, inseguranças, olhamos e tudo o que nos estende ajuda imediata são os famosos vídeos e textos de auto ajuda a ferver com COMECE DE NOVO, PERDOE E REINVENTE-SE, as pessoas á volta dizem tudo de bom que está a acontecer na nossa vida como se fossemos ingratos por ser tão pessimistas, curioso pessimista a palavra que todos fogem mas faz parte do medo cru e nu da nossa existência. Acabamos por injectar meias verdades de tal forma para apagar o ódio reerguido do eu, subterrando o bom e o mau.

Quem ganha com isso? Qual é a vantagem de ignorar a massa obscura que nos persegue e consome nos nossos momentos de fraqueza? Porque alguém nos ensinou que com a luz vamos combater seja qual for a escuridão?

Pois… Não sei a dos outros, só sei a minha, todos os erros passam que nem doce veneno nas veias da minha memória. Se sei onde ir ou o que fazer? Não, mas talvez não precise, talvez não precise de um guru, ou de uma solução mágica porque não há. O máximo que posso retirar de tal sufoco da falta de valorização é que cada acordar é um acordar diferente, onde o bom hoje em dia é analisado realçado, o mau repensado retirando todas as lições para um futuro acordar. Pois está mais do que sabido as questões da mente não existe um único caminho a seguir, o máximo a fazer é quando se reconhece que algo existe, é cada um recorrer a melhor forma de ajuda, entenda-se por ajuda o rumo a tomar que faça a situação ser aliviada entendida e não o retrocesso da mesma, acrescentar o cliché conta contigo miúda pois tudo vem e vai e tu ficas aqui a aturar-te.

Tudo que me faz ser eu, bom mau, peculiar ou mesmo considerado em certos olhos… demasiado, excessivo, desnecessário, continuará aqui, pois sou eu que me aturo, são os meus momentos sozinha com a t-shirt do star wars e os daft punk no máximo nos fones enquanto paro e analiso o universo, seja o meu, ou o exterior. O que me define? Não sei, mas sem dúvida uma moça entre a espiritualidade e confusão de ser esquisita numa nave só minha, talvez, o problema do ódio seja quem está na terra não vê o interior e a beleza da tua nave, talvez quem deixas ver a luz do teu mundo tenha de ser alguém com visão própria para a tua frequência de luz. Não existe alien maior no mundo que a mente do ser humano, nessa galáxia de pensamentos, claramente quem vai ver a tua própria super-nova, o nascer e morrer dos teus ciclos, tem de ser uma outra nave que te entenda, não uma que queira reparar as tuas peças de maneira a entrares na fila do comum.

No fundo é isso, pois a nave onde vivo é nela que morrerei, nesse caso, quem tem de decidir as minhas peças de reparo sou eu, não os universos exteriores, calculo, sem saber verdades ou teorias absolutas que quando o acidente de percurso for maior do que esta mente aguenta, é comigo e com quem me entende que posso debater qual a peça a usar desta vez.

Todos os dias nascem estrelas, como todos os dias morrem, sem ignorar claro todo um espectro intermédio, no reflexo do que cada um é há dias piores e melhores.

O que importa, é cada um descobrir o combustível que faz a sua mente consciencializar-se e observar-se com maior empatia.

Momo

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Nerdhead com uma mistura de sushi comido em Mordor.

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